Inclusão de alunos na escola, cresce o desafio - MATERIA PUBLICADA NO G1

02/03/2013 07h49 - Atualizado em 02/03/2013 11h43

Alunos com síndrome de Down e autismo exigem professores capacitados.
Fã de Sean Penn, ator de 'Colegas' estudou em escola especial.

Ana Carolina Moreno e Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo
 
                        
O ator Ariel Goldenberg, de 32 anos, espera que o premiado “Colegas”, que estreou nesta sexta-feira (1º) no cinema, contando as aventuras de três jovens com síndrome de Down que fogem de uma instituição assistencial (veja a crítica do filme), chame a atenção para a inclusão das pessoas com deficiência intelectual na sociedade, a começar pela escola. “Queremos que as pessoas olhem para os deficientes com outros olhos”, diz Ariel, que ficou famoso nas redes sociais após a divulgação do sonho de receber uma visita do ator norte-americano Sean Penn.
A presença cada vez maior de alunos com deficiência intelectual no sistema educacional convencional está obrigando as escolas a adaptarem seus conceitos pedagógicos.
Lettícia da Silva Santos Azevedo, de 7 anos, tem síndrome de Down e estuda na Escola Municipal Celso Leite Ribeiro Filho, em São Paulo (Foto: Raul Zito/G1)
Segundo o Censo Escolar, entre 2005 e 2011, as matrículas de crianças e jovens com algum tipo de necessidade especial (intelectual, visual, motora e auditiva) em escolas regulares cresceu 112% e chegou a 558 mil. O Censo Escolar não diz quantas destas matrículas são de alunos com síndrome de Down, outra deficiência intelectual ou autismo. O Censo do IBGE, porém, aponta que, em 2010, 37% das crianças com deficiência intelectual na idade escolar obrigatória por lei (5 a 14 anos) estavam foram da escola, número muito superior à média nacional, de 4,2%.
Outro indicador do aumento da inclusão: as matriculas das crianças com deficiência em escolas especializadas e as classes exclusivas nas escolas comuns caiu 48% de 2005 para 2011, quando foram registradas 193 mil matrículas.
A escola é a instituição responsável por introduzir a criança na vida pública. E você não pode dizer que esse aqui vai ser introduzido na vida pública e esse não"
Maria Teresa Eglér Mantoan,
coordenadora do Leped-Unicamp
Apesar de a inclusão de crianças e jovens com algum tipo de deficiência nas escolas regulares ter aumentado nos últimos anos, são grandes os desafios de preparar os professores para mantê-las na sala de aula com os demais colegas, e de receber as crianças que ainda estão excluídas.
O modelo de só transmitir o conhecimento do currículo básico já não é mais suficiente. Segundo a professora Maria Teresa Eglér Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade (Leped) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a inclusão aparece para mostrar que todas as pessoas são diferentes, algo que a escola não quer conceber. “O senso comum nos faz pensar muito mais na identidade do que na diferença, porque é muito mais fácil. Mas a diferença se apresenta, e você tem que lidar.”
O ator Ariel Goldenberg e a mulher dele, Rita Pokk,
protagonistas do filme 'Colegas' (Foto: Raul Zito/G1)
Segundo ela, o mais importante para uma criança com deficiência não é aprender o mesmo conteúdo que as outras, mas ter a possibilidade de aprender a colaborar, ter autonomia, governar a si próprio, ter livre expressão de ideias e ver o esforço pelo que consegue criar ser recompensado e reconhecido. “A escola é a instituição responsável por introduzir a criança na vida pública. E você não pode dizer que esse aqui vai ser introduzido na vida pública e esse não”, diz a educadora.
Escola regular ou especial?
Na década de 1980, quando o ator Ariel era menino, prevalecia o conceito de que crianças como ele deveriam estar em instituições exclusivas para dar assistência à suas necessidades, e não em uma escola regular. Ariel chegou a fazer o maternal em uma escola comum, mas foi matriculado aos cinco anos na Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (Adid), onde seus “colegas” também tinham a mesma síndrome que ele.
ENTENDA A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
O que é?
Na Deficiência Intelectual a pessoa apresenta um atraso no seu desenvolvimento, dificuldades para aprender e realizar tarefas do dia a dia e interagir com o meio em que vive.
Como acontece?
É resultado, quase sempre, de uma alteração no desempenho cerebral, provocada por fatores genéticos, distúrbios na gestação, problemas no parto ou na vida após o nascimento.
Principais tipos
Alterações cromossômicas e gênicas, desordens do desenvolvimento embrionário ou outros distúrbios estruturais e funcionais que reduzem a capacidade do cérebro.
O que é Síndrome de Down?
É uma alteração genética que ocorre na formação do bebê, no início da gravidez. O grau de deficiência intelectual provocado pela síndrome é variável. A linguagem fica mais comprometida, mas a visão é relativamente preservada. As interações sociais podem se desenvolver bem, no entanto, podem aparecer distúrbios como hiperatividade e depressão.
Quais são outras deficiências intelectuais?
Síndrome do X-Frágil, índrome de Prader-Willi, Síndrome de Angelman, Síndrome Williams, entre outras.
O que é autismo?
O que caracteriza o autismo são aspectos observáveis que indicam déficits na comunicação e na interação social, além de comportamentos repetitivos e áreas restritas de interesse.
Fontes: Apae-SP e Associação de Amigos do Autista
“Apesar de ser politicamente correta a inclusão, acho que às vezes os pais focam tanto na inclusão que esquecem o incluído. Achei que era melhor ele estudar em uma escola que estivesse no ritmo dele”, explica a artista plástica Corinne Goldenberg, mãe de Ariel, que se preocupava com o possível sofrimento de ver o filho ficar para trás em relação aos demais alunos. “O que o Ariel aprendeu, ele aprendeu na escola especial.”
Naquela época, era comum que as escolas recusassem a matrícula de alunos especiais. Foi o que aconteceu com Rita Pokk, “colega” de Ariel no filme e esposa do ator na vida real. “Bateram a porta na cara da minha mãe um monte de vezes”, relembra Rita, hoje com 32 anos. Ela conseguiu ser matriculada em uma escola particular aos 12 anos, depois de muito esforço da mãe. Para que a filha, já maior de idade, pudesse frequentar a quinta série no supletivo, a mãe precisou se matricular, fazer as provas e assistir às provas com a filha. Na sétima série, Rita percebeu que o currículo estava avançado demais para ela, e trocou a escola regular pela Adid para fazer amigos. Lá, ela fez teatro e conheceu Ariel.
Hoje, a ONU e o governo brasileiro defendem que o lugar de todas as crianças é a escola convencional. O modelo aplicado pela rede pública de ensino é estruturado de forma a manter os alunos especiais na sala comum, mas com atividades de apoio individualizadas no contraturno, já que o aluno com deficiência intelectual tem outro ritmo de aprendizado, que em geral não corresponde ao que a escola está acostumada a esperar. Edna dos Santos Azevedo, mãe da aluna Lettícia, de 7 anos, diz que a filha matriculada na Emef Celso Leite Ribeiro Filho, na região central de São Paulo, exige mais atenção e paciência para aprender.
Lettícia está integrada aos outros colegas e tem as
mesmas exigências que eles (Foto: Raul Zito/G1)
'Tem de se sentir igual'
Edna, no entanto, nunca cogitou matricular a menina em uma escola especial. “A evolução da Lettícia [em uma instituição só para alunos especiais] teria sido mínima, ela é muito esperta.” Para a mãe, a convivência com as outras crianças só traz vantagens. Ela diz que a filha nunca sofreu preconceito ou bullying por parte dos colegas. Pelo contrário, é querida pelos amigos, que se oferecem para ajudá-la em várias situações e se preocupam quando ela falta à escola.
A garota reconhece todas as letras do alfabeto, lê e escreve algumas palavras e aprendeu a falar as cores em inglês. Na aula, a professora Maria Luiza de Oliveira Marques diz que Lettícia participa das atividades e interage na hora da leitura. “Ela é bem resolvida e independente”, diz a professora. A deficiência não é motivo para que Lettícia seja poupada de alguma regra na escola. “Lettícia tem de se sentir igual, se a cobrança não for igual, não há inclusão”, diz a vice-diretora da Celso Leite Ribeiro, Leni Aparecida Villa.
Além da escola, Lettícia faz atividades na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo para estimular raciocínio e coordenação motora. Com anos de experiência no trato com crianças e jovens com deficiência intelectual, Valquíria Barbosa, gerente de serviço sócio-assistencial da Apae de São Paulo, afirma que a criança com deficiência exige aulas mais lúdicas, repetições e um currículo flexível. Na ausência desses itens, a verdadeira inclusão fica comprometida.
Crianças não têm preconceito, elas aceitam os colegas. O adulto, sim, precisa saber lidar com isso"
Valquíria Barbosa,
gerente da Apae-SP
Para Valquíria, a escola especial teve sentido em uma época em que não havia informação e não se sabia quais caminhos seguir, agora não mais. “A pedagogia evoluiu, novos caminhos foram descobertos”, diz a especialista, reafirmando que, para ela, a escola regular é a melhor alternativa.
“É claro que a família tem receio de como a criança vai ser recebida no ambiente, da preocupação de quem serão seus amigos, de como vai se relacionar. Mas crianças não têm preconceito, elas aceitam os colegas. O adulto, sim, precisa saber lidar com isso.”
Lenin dos Santos, de cinco anos, tem autismo; depois de uma experiência pouco proveitosa em uma escolinha de bairro, ele agora estuda em um centro especializado de manhã e na rede pública à tarde
(Foto: Raul Zito/G1)
‘Aprendeu mais com o iPad do que na escola’
O preparo dos adultos, no caso, os professores, no entanto, ainda não chegou a todas as escolas, como já prevê a legislação. Adriana Moral Ramos, coordenadora do Centro Terapêutico Educacional Lumi, especializado em pessoas com autismo e localizado no bairro do Butantã, Zona Oeste da capital paulista, afirma que a maior parte dos alunos que chegam até ela vem justamente de más experiências em escolas regulares. “Os pais escolhem a escola convencional para se aproveitarem do currículo regular, mas depois optam pela especializada para [a criança] não sofrer bullying. No caso do autismo, ainda existe muito preconceito, as escolas acham que, com os problemas de comportamento, o aluno vai desestruturar a sala de aula.”
Depois de ver o filho Lenin retido com crianças mais novas em uma escolinha particular no bairro onde mora, e nas mãos de professores sem formação para atender às suas necessidades, o designer Eduardo Ferreira dos Santos, de 30 anos, decidiu colocá-lo em mãos mais experientes. “Ele aprendeu muito mais sozinho com o iPad em casa do que na escola”, afirmou Santos.
Neste ano, o designer matriculou o filho de cinco anos no Centro Lumi. Para pagar a mensalidade de R$ 1.485, Santos publicou um pedido na internet para receber doações de amigos. Em algumas semanas, conseguiu levantar cerca de R$ 8 mil, mas vai necessitar de R$ 19 mil para manter o filho na escola especial durante um ano. Agora, o designer tenta encontrar uma empresa disposta a pagar a mensalidade do menino e deduzir o gasto do imposto de renda.
Lenin vai ao Lumi pela manhã, e à tarde tem aula em uma escola municipal que conta com uma Sala de Apoio e Acompanhamento à Inclusão (Saai) e uma professora especializada. Durante o período de adaptação, ela permanece na sala de aula com 29 alunos, três deles com necessidades especiais.
Hércules Ribeiro Antunes foi diagnosticado com autismo aos quatro anos. Hoje, tem 12 anos e estuda na Escola Municipal Pedro Nava (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)
Orçamento apertado
Nem toda família, no entanto, consegue pagar um atendimento especial para o filho. “Já corri atrás, mas dizem que [a mensalidade da escola especial] é acima de R$ 800”, diz Maria Lenice Ribeiro dos Santos, mãe do menino Hércules, de 12 anos, diagnosticado com autismo. Ela não trabalha para cuidar dos três filhos, com quem mora em um apartamento de dois quartos em um conjunto habitacional no Rio Pequeno, na Zona Oeste de São Paulo. A família recebe um salário mínimo do governo como benefício garantido por lei à pessoa com deficiência.
Hércules está no sexto ano da Emef Pedro Nava, perto de onde mora. Ele chegou à escola no meio do ano passado, depois que a família mudou de bairro. O menino sabe reconhecer as letras e copiar palavras, mas não consegue ler. Na última segunda-feira (25), sua primeira aula foi de português e, enquanto a professora explicava um exercício sobre substantivos aos demais alunos, Hércules fazia uma tarefa de alfabetização acompanhado de uma professora exclusiva.
“Ele faz atividades de acordo com a habilidade dele, mas dentro do tema trabalhado na sala de aula, para ele se sentir incluído”, explica a professora especializada em inclusão da escola, Márcia Aparecida dos Santos de Oliveira Fausto. Hércules faz atividades na sala especial da escola das 9h às 10h e estuda na sala regular das 13h30 às 15h. “A ideia é que ele vá aumentando o tempo em que fica na escola”, afirmou a mãe.
A dificuldade de Hércules na aula de português reflete outro dado do IBGE: 47,1% da população com algum tipo de deficiência intelectual acima de cinco anos de idade era analfabeta em 2010. Nos casos de pessoas com deficiência visual, auditiva e motora, o índice de analfabetismo caiu para 16,8%, 24,2% e 28,3% respectivamente. A média brasileira, porém, foi de 10,5%, segundo o Censo de 2010.

Saiu no G1- Crianças de 4 anos na escola!!!!

O governo federal publicou nesta sexta-feira (5), no “Diário Oficial da União”, a lei número 12.796 que altera a lei que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.  Como novidade, o texto muda o artigo 6º tornando "dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 anos de idade". A matrícula dessas crianças pequenas deve ser feita na pré-escola. Estados e municípios têm até 2016 para garantir a oferta a todas as crianças a partir dessa idade.
Segundo o Ministério da Educação, a lei publicada nesta sexta-feira é uma “atualização” da Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, reunindo as emendas realizadas desde então.
A versão anterior dizia que esta obrigatoriedade era a partir dos 6 anos. Mas, em 2009, uma emenda constitucional tornou obrigatório ao governo oferecer educação básica e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria.
Foi preciso então "incorporar" na lei o dever dos pais de matricular os filhos de 4 e 5 anos.
A nova lei "abraça" a educação infantil e estabelece as suas regras. Segundo o documento, a educação básica será dividida entre pré-escola, ensino fundamental e ensino médio. O currículo da educação infantil deverá ter uma base nacional comum que respeita as diversidades culturais de cada região. Isto já valia para o ensino fundamental e o ensino médio.
Acompanhamento, frequência e registro
O professor deverá fazer um registro do acompanhamento do desenvolvimento de cada criança. As crianças de 4 e 5 anos terão "avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental". Além disso, na pré-escola as crianças devem ter carga horária mínima anual de 800 horas, distribuída por um mínimo de 200 dias de trabalho educacional.
O atendimento à criança deve ser de, no mínimo, 4 horas diárias para o turno parcial e de 7 horas para a jornada integral. E a pré-escola deve fazer um controle de frequência destas crianças, exigida a frequência mínima de 60% do total de horas.
Outra novidade no texto foi a inclusão de "consideração com a diversidade étnico-racial" entre as bases nas quais o ensino será baseado.
Educação especial
A alteração na lei torna mais específica ainda a educação para crianças e jovens com deficiência ou os chamados "superdotados". O texto anterior falava em "educandos com necessidades especiais". Agora, a redação diz "atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino".
Em outro artigo, fica garantido que "o poder público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial."
Segundo o Ministério da Educação, entre 2005 e 2011, abriu 37.800 dessas salas, usadas para atividades individualizadas com os alunos especiais em horários além dos que eles passam na sala de aula comum, abrangendo 90% dos municípios do país. A pasta diz que espera contemplar 42 mil escolas com esse recurso até 2014.


Reportagem sobre a Escola Estadual Eloy de Miranda Chaves no site da UDEMO



RAQUEL LOBODA BIONDI
Clipping Educacional - UDEMO
No alto da Vila Aparecida, na Escola Estadual (EEGP) Dr. Eloy de Miranda Chaves, histórias de vida - bem jovens - contornam preconceitos e resultam em conquistas. Dos 50 estudantes do terceiro ano do ensino médio daquela escola (durante o ano letivo de 2012), uma média de 25 alunos foi aprovada em diferentes vestibulares no início deste ano. Fora as universidades públicas, muitos conseguiram bolsa de 100% em universidades particulares da Região, graças ao bom desempenho na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), parte do Programa Universidade para Todos (ProUni), do Governo Federal.

Os alunos - visivelmente unidos e estudantes daquela escola desde bem novos -, sentem-se transformados, já que foi pelo empenho próprio que conseguiram as vagas. Eles ingressam na vida universitária com novos desafios, mas também com a confiança de que, por meio do aprendizado na escola pública e dos estímulos da família e educadores, podem ir ainda mais longe.
Michel Douglas Cotarelli Momesso, 17 anos, é um dos 11 ex-alunos da escola que conversou com a reportagem do Jornal de Jundiaí Regional. Na bagagem de muitos deles, há alegrias e dificuldades em tentar ser um diferencial na juventude. "Quero ser alguém na vida", disse. Animado entre os colegas, Michel não escondeu a emoção ao recordar alguns obstáculos que enfrentou.
"Sempre fui um aluno esforçado, mas em 2010, no primeiro ano do colegial, meu pai faleceu e tive que começar a trabalhar", contou. "Foi um período difícil. No começo, dormia nas aulas, me sentia cansado e meu rendimento caiu. Mas senti o estímulo da escola e prestei quatro vestibulares." Hoje, Michel cursa Engenharia Civil na Unip de Jundiaí, onde conseguiu, pelo ProUni, bolsa integral na mensalidade.
"Minha mãe está orgulhosa. Sou um exemplo para os meus quatro irmãos", conta ele, que mora com a família no Jardim São Camilo. Michel é o segundo filho mais velho e trabalhou durante os três anos de ensino médio em um supermercado. "Tinha 15 anos quando comecei e, pela idade, não podia ser registrado. Esperei meu aniversário em março de 2011, fiz 16, e consegui o registro", contou satisfeito.
Ao lado da família
Assim como Michel, Bruna Giovanna Curcio, 17 anos, que passou no vestibular da Escola Superior de Educação Física (Esef), em Jundiaí, também trabalhou durante o ensino médio. "Continuo até hoje como recepcionista. Senti dificuldade, mas é uma responsabilidade importante. Daqui para frente nossa vida será desse jeito", disse.
Para o coordenador da escola, Alexandre Pagani Brambila, os bons resultados correspondem ao interesse dos alunos, bem como ao apoio das famílias. "Acompanhei esta turma desde a 5ª série. Eles são ótimos. Também temos um quadro de 35 professores bastante unidos e 90% deles são efetivados, então, não temos aquele rodízio, nem falta de educadores", considerou.
"Temos alunos que se formaram engenheiros e advogados. Mas é a primeira vez que divulgamos", informou a diretora da escola, Nair Micheletti. A escola, segundo a direção, recebe alunos de experiências distintas, mas muitos são de famílias carentes da região da Vila Aparecida.
Uma prova à sociedade
Entre a turma de novos universitários, a maioria reside no próprio bairro, outros no Jardim Tamoio, Jardim São Miguel, Jardim Caçula, Cidade Nova e Corrupira. Eles reconhecem que sofreram preconceito por estudarem em escola pública. Hoje, são vitoriosos. "O ensino dessa escola é muito bom. O Enem é uma prova difícil e tivemos ótimos resultados", contou Maria Carolina da Silva, 17 anos, que cursa Arquitetura e Urbanismo na Unip, também com bolsa de 100% pelo ProUni.
"Além da escola, tivemos o apoio de professores com tarefas em casa e estímulo sobre opções de inscrições e universidades. O período da escola é um aprendizado para a vida. Vamos levar adiante", disse Andressa Rondon, 17 anos, que conseguiu vaga no curso de Dança, da Unicamp.

Cadernos de Apoio a aprendizagem Libras

 Confira o download dos livros de apoio para alunos surdos:

Clique aqui para acessar o site e fazer o download dos livros.

Cursos

Link para pré inscrição de cursos: LIBRAS,Braille, Deficiência Intelectual.

https://docs.google.com/forms/d/1e9Vwfcd3kJDMT-ZY55Um1GAn64QJnsrCva9OpBViCJg/viewform

Os cursos são para professores da Rede Pública de Ensino- Diretoria de Ensino - Região de Jundiaí, devem ser feitos fora do horário de trabalho para ter certificação.
Cada curso tem a carga horário de 40 horas.

Orientação Técnica no Cape 13/03/2013


Tivemos ontem, 13 de março, o nosso primeiro encontro do ano. Matamos a saudades dos colegas das Diretorias e principalmente da Professora  Maria Elizabete da Costa, atualmente Coordendora da CGEB, que nos ensinou o sentido de uma Equipe de Educação Especial. Será sempre nossa inspiração!!!!

Fomos apresentados as colegas recém chegadas a função: Neusa Souza da Silva Rocca no CAESP e Wânia Aparecida Boer no CAPE como Diretora.
Muito sucesso e conquistas !!!!!!



Tivemos também a presença do Ministério Público - GEDUC :

Dr Júlio Botelho


Dr Joaõ Paulo Faustino

Agradecemos também aos colegas da Equipe Cape pelo carinho durante o evento !!!!

EAD LIBRAS - UFSC





O modelo desenvolvido pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) para cursos a distância de bacharelado e de licenciatura em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) pode ser exportado para a China.



O projeto formou cerca de 450 alunos nas primeiras turmas, dos quais 400 surdos. Agora a universidade pode participar de um curso de Libras internacional.

"Os chineses demonstraram interesse na criação de um curso de Libras internacional que seja capaz de atender aos estudantes asiáticos", conta a professora da UFSC Ronice Müller de Quadros, que foi até esse país apresentar o caso brasileiro durante a 3° Conferência Internacional de Linguística de Sinais e Educação de Surdos na Ásia.



O projeto-piloto também teria a participação de universidades da Alemanha, dos Estados Unidos e de Hong Kong.



Libras no país

No Brasil, existem apenas dois cursos de graduação a distância em Libras cadastrados pelo MEC (Ministério da Educação): licenciatura em Língua Portuguesa e Libras da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) e bacharelado e licenciatura em Libras da UFSC.



Em Santa Catarina, o curso foi aberto em 2006. "Fizemos visitas presenciais para conversar com os estudantes e acertar as aulas para o ambiente virtual, sempre levando em consideração o processo de assimilação de conhecimento do surdo, que ocorre primeiro pela linguagem dos sinais", conta Ronice.



O curso é composto por uma parte virtual --com videoaulas e videoconferências com os professores, apostilas e DVDs com material de estudo-- e 30% da carga horária é realizada em encontros presenciais nos polos de ensino.



De 2006 até a metade de 2012, o projeto recebeu recursos do governo para formar parcerias com instituições públicas do ensino superior, o que permitiu a abertura de polos em 15 Estados e a formação de 450 estudantes para darem aulas de Libras ou trabalharem como intérpretes.



No Brasil, 9,7 milhões (5,1% da população) de pessoas declararam ter algum tipo de deficiência auditiva no Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).



Em 2013 a UFSC entra no programa federal Viver sem Limites, que pretende garantir direitos básicos de brasileiros com deficiência, e deve levar seu modelo de ensino para outras instituições de ensino superior do país, que poderão ofertar cursos de Libras a distância ou presenciais.



Ainda não está definido o número de universidades que participarão do programa.



Admissão

Os cursos a distância de bacharelado e de licenciatura em Libras da UFSC têm duração de quatro anos e são gratuitos, com processo admissional por vestibular.



Em Santa Catarina, são 60 vagas na modalidade a distância (30 para bacharelado e 30 para licenciatura) e 40 na presencial (20 para bacharelado e 20 para licenciatura).



Os vestibulandos que prestam o curso a distância precisam ter conhecimento prévio de Libras, pois os exames são dados nessa linguagem. No presencial, a Libras só é exigida a partir do primeiro ano.



O bacharelado prepara os alunos para atuarem como tradutores e intérpretes e o segundo forma professores em Libras. Nos dois cursos, o graduando tem um programa de estudos que cobre a língua, a literatura e a cultura da comunidade surda do Brasil e de outros países.



Fora da graduação, a UFSC disponibiliza gratuitamente material online em Libras, com 600 horas de formação básica, 1.020 horas de formação específica e 750 horas de formação pedagógica para quem tiver interesse no assunto.



http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/03/07/graduacao-ead-em- libras-forma-surdos-em-todo-o-pais-e-interessa-china.htm







Fonte: UOL Educação - Cláudia Emi Izumi



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